quarta-feira, 10 de março de 2010

Subliminar - O início - 1ª Parte




Meu nome é Tiago Malta. Tenho 20 anos e estou desempregado.

Eram quatro da tarde e o ônibus tardava a chegar. Queria ir logo pra casa. Nunca gostei de ficar esperando. Pra mim tudo na minha vida é tão devagar que ao menos quando eu tenho a oportunidade de fazer algo eu quero que seja rápido e eficiente.

Eu detestava o calor. Detestava o que estava fazendo ali também. Em pé, suado com a incomoda impressão de que as pessoas olhavam pra mim ao meu redor e comentavam sobre todos os meus defeitos. Era insuportável, quase como se pudesse ler seus pensamentos.

Franzia a sobrancelha meio que instintivamente e em poucos instantes minha expressão facial era daquelas tipo: "comeu e não gostou". Entre as cinco pessoas que esperavam pelo ônibus junto comigo naquele terminal, estava uma linda mulher. Esbelta e bonita. Cabelos escuros e olhos mais escuros ainda. Bem vestida e formal. Minha mente devaneou por alguns minutos entre as curvas de seu voluptuoso corpo. Mas fui bruscamente atrapalhado pelo estrondoso buzinar do ônibus que vinha em minha direção.

Como um touro desgarrado, o ônibus vinha como uma flecha. O alvo? EU. Naquele momento pensei "Puxa vou morrer. Ao menos morrerei observando a beleza desta mulher". "Porque Eu meu Deus?" "Só vim colocar crédito nesse maldito cartão..Droga!"

Lugar errado. Dia errado. Hora errada. Disso tudo eu sabia. Só não sabia que Eu era a pessoa errada também...

Os pensamentos eram variados.O ônibus passou perto de mim, mas não o suficiente para me estraçalhar em pleno o terminal urbano de Ilhéus. Caí no chão meio que de repente. E lá estava a culpada pela minha falta de atenção.Segurou minha mão e perguntou se eu estava bem. Eu disse que sim. Um sim meio bobo, daqueles que dizem mais que uma frase em apenas três letras. Queria dizer a ela o quanto era linda.

Não sei se foi a pressão. Talvez a Glicemia. Mas desmaiei. Acordei no hospital Regional de Ilhéus.A vista era Nostálgica. Tudo porque já havia passado os piores 10 dias da minha vida na ala de vítimas de Meningite. Detestava aquele cheiro. Detestava aquele lugar. Mas mãe que é mãe ta sempre com agente. Comigo não é diferente. A minha estava lá.

- Calma filho, descanse. Você não pode se levantar assim tão rápido.
- O que aconteceu? Cadê as coisas, o cartão? E o que eu estou fazendo aqui? me sinto tão bem...
- Você quase foi atropelado por um ônibus hoje. Ele por pouco não pegou você! Seu pai ta irritadíssimo lá. Pensando até em processar o motorista.
- E ele como está?
- Ele quem?
- O motorista mãe!
- Ele está lá na delegacia com seu pai.Não estava embriagado. Ao que tudo indica foi barbeiragem.
- Barbeiragem? Coisas como estas não são comuns de acontecer. Ele se pronunciou sobre algo estranho?
- Ele disse que o ônibus ficou desgovernado. Alegou problemas mecânicos. Sabe como é né nessas horas todo mundo tem desculpa. Irresponsável! Pelo menos meu neguinho ta bom né mãe?!
- Ta, ta, ta, Mãe! Sem dengo!

Achei estranho tudo aquilo. Mas o que mais me intrigava ainda era a mulher. O olhar dela era diferente. Como se não bastasse o fato estranho que ocorrera à tarde, ao ser liberado do hospital a noite e chegar em casa, encontrei dentro do bolso da minha bermuda um celular.

O celular era preto. Um Nókia antigo.Tinha duas mensagens.A primeira impressão que tive foi a de perguntar a minha mãe de onde aquilo tinha saído, mas pensei melhor. Resolvi checar primeiro as mensagens. A primeira dizia:

"Salvei sua vida. Agora preciso que salve a minha. Te encontro hoje a meia noite em frente a catedral. Não conte a ninguém onde está."

Diria que o emissor não se pronunciaria caso retornasse uma mensagem ao numero remetente se não fosse pelo simples fato do número emissor ser o do meu próprio celular.De fato procurei o meu celular e nada encontrei na casa.

Preocupado, resolvi ler a segunda mensagem: "OPEN GAME"

Nada entendi. Fiquei preocupado com a situação. Aonde deveria de estar meu celular? Perguntei a minha mãe umas trocentas vezes e ela não conseguiu achar também. Ainda tive de aguentar ela dizendo que meu pai ia encher meu saco.Talvez realmente meu celular fosse a maior preocupação se não fosse os fatos hoje acontecidos.

Resolvi naquela sexta a noite dar um rolé na avenida. No entanto usei roupas ofuscantes. E resolvi meio que me encolher entre o povo que passeava. Não queria ser conhecido por quem me convidou. Queria observar de longe. Ver se encontrava a pessoa e a abordava logo depois. Levei o celular por precaução.

Encontrei um bom ponto no banco da praça em frente ao teatro municipal. Lá sentei enquanto os hippies trabalhavam em suas pulseiras eu observava as pessoas ao meu redor. Não percebi que uma mulher sentara ao meu lado. Imagine minha surpresa ao ver que era a mesma moça de hoje a tarde.

- Oi tudo bem? Está melhor?
- O-O-I, tu-tu-tudo bem sim...
- Que bom, fiquei preocupada com você. Sabia que fui eu que chamei a ambulância e liguei pra sua mãe?
- Ué conhece minha mãe?
- Não. Peguei o número do seu celular.

Eu gelei. Era ela a tal pessoa que estava com meu celular.Em instantes a raiva que eu tinha por quem quer que tivesse pegado meu aparelho, passou de indignação a surpresa e porque não dizer um certo medo.Ela ficou lá me olhando com aquele belo rosto.

Tirou o meu celular do bolso com uma fita isolante preta em volta dele.

- Ué, surpreso?
- Quem é você?
- Me chamo Marcela. Salvei sua vida.
- Agradeço por chamar minha mãe pelo meu celular, você foi muito prestativa mais...
- Não é disso que estou falando. Estou querendo dizer que salvei sua vida. Você me deve uma.
- Sei...Certo, tudo bem. E o que seria esta sua proposta? O que quer de mim?
- Quero que me ajude a conseguir um objeto. E só você pode fazer isso.
- O que um rapaz de 20 anos desempregado pode fazer de tão único? E o que é OPEN GAME?
- É o seu convite para participarmos de um jogo.
- Jogo? que jogo?
- No momento não posso dizer muito. Posso no entanto te assegurar que é um jogo interessante.
- De que tipo de Jogo estamos falando?

Ela sorriu e continuou conversando:

- Hoje quando o ônibus vinha em sua direção era um teste do Conselho pra saber se você se lembraria.Você já fez parte disto tudo e eu também. Só que enquanto você perdeu a memória sobre agente, Eu adquiri informação contra os Templários.
- Como é que é? Hehe, você ta de brincadeira. Que história mas sem pé nem cabeça é essa? Templários?
- É como se chama o conselho. No entanto ainda é cedo para que você se lembre. Antes preciso te mostrar uma coisa. - Ela retira da bolsa uma foto:
- O que é isso? Uma foto?
- Sim, veja quem está nela...
- Nós dois!
- Sim.
- Juntos?!
- Sim...
- Mas como isso é possível? Nunca tinha te visto na minha vida até hoje a tarde!
- Eu também achava que era um estranho quando aceitei a missão de te treinar contra O Conselho. No entanto isto muda, tudo muda você vai ver. Está vendo aquele rapaz que está vendendo pipoca perto daquele garoto?
- Sim, o que é que tem?
- Ele vai morrer em exatamente 20:50:12 segs.
- Perae do que você está falando?
- Veja no relógio.
- São 20:49:50sg!
- Observe.

Em exatamente 22 segs o homem cai se contorcendo no chão.Parece ter sido enfarto. Não parava de olhar pra cena, pro relógio e para a moça que acabara de conhecer e que já me mostrara uma foto de casal juntos. Algo sobrenatural paraiva no ar.O clima de mistério era angustiante e como abutres as pessoas se aproximavam do homem caído e morto. Com um olhar irônico a moça olhou pra mim e disse:

- Sei que parece absurdo tudo isso , mas depois de minha profecia você acredita em mim?

Atônito fiquei. Comecei a coçar a cabeça. Olhei pra ela, pro povo ao redor do corpo do pipoqueiro clamando por ajuda e pro celular. Virei-me pra ela e disse:
- Conte-me mais sobre tudo isso...
- Será um prazer. Ah, outra coisa. Lembra-se de seu Primo João?
- O que é que tem meu primo João?!
- Ele é o Próximo.
- O que?!

(Fim da primeira parte)

Quem será esta moça? E de onde eles se conhecem? O que ela quer dizer com salvar vidas? O que é O Conselho? E Os templários? E como ela sabe o momento exato de uma morte? Dúvidas retiradas na próxima parte...

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